terça-feira, 1 de maio de 2018

Eu tava em casa
Pondo roupa no varal
Quando o telefone tocou
Era você
de outra galáxia ou bairro
dizendo que as violetas já vão tarde
Eu disse
Por que você não as deixa em paz
e volta pra casa?
Nada me resta
Ligo o rádio e de repente
tava tocando a nossa música
Aquela do Cartola
E finalmente eu entendi
que nada me move
até você
a não ser a tua espera
que eu espero
de janela escancarada
a cada partida sua
fecho a janela
não deixo nem um raio entrar
Nunca mais vou lhe beijar
aquele beijo longo e sujo
que você me dava só pra me ver rir

12:00

Vou pra rua
e avisto
uma sombra
mas não é uma sombra qualquer
é a sua sombra
Ela te persegue e não te deixa em paz
Você corre
em desespero
Para,
num susto
E ela ali permanece
intacta

O melhor horário é o meio dia.


Você não entende nada.

Eu sempre gostei de escrever sobre amor
Não o amor dos filmes
Só dói porque a gente se importa
Por que a gente ama
A ferida só cicatriza com o tempo
E lá vou eu de novo falar de dor
Tenha dó
Me poupe desse disco arranhado
Eu quero mais é quebrar a vitrola
Sapatear nos caquinhos
Enquanto meu gato olha incrédulo
Você chega de viagem
Me espera de malas vazias
Promete não mais voltar
Eu assumo a tempestado
Você machuca o pé
Nos caquinhos da vitrola
Pergunta qual disco estava tocando
quando a quebrei
Era um disco da Gal. Eu acho.
Que ganhei do meu ex de aniversário
Você pôs ele pra tocar
Na nossa primeira transa
Você lembra?
Meu gato finge que vai comer
Mas prepara um bote
No meu pé
Cheio de unhas roidas
Deita e rola
De barriga pra cima
Esquece do ataque

domingo, 29 de abril de 2018

ser feliz é pra quem?
uma utopia talvez
platonicamnte falando
talvez seja do plano das idéias

Ser feliz é pra quem?
que cor tem a felicidade?
é daltônica, verde ou rosa
preta ou branca. Furta cor.

Ser feliz é pra quem?
dizem os sábios que a felicidade é inerente ao homem
pois digo eu que a felicidade é o desafeto do homem

 ser feliz dói
mas porque?


segunda-feira, 16 de abril de 2018

O corpo.

o corpo é o avesso da alma
o corpo é um escravo da mente
Fazes mil loucuras
me deixas tonto
sem saber aonde ir
Fazes mil perguntas
me deixas sem graça
sem saber o que dizer

Te dou a minha palavra
me espera
só preciso de um tempo
pra pensar

Mas o amor tem pressa sim
e não pode esperar 
o amor é aqui e agora
não pode tardar

Se eu pudesse
fugia pra bem longe
nos braços de outro
Afogar em minhas lágrimas azuis
seu sorriso amarelo



como me enxergou e acertou
que sou açucarada?
além de açucarada
engraçada
porém com um pesar
no olhar
eu, de olhos fechados
te vejo
bonito
te vejo,
como és?
Entre acertos e erros suponho
suponho que és cortejante
no silêncio
silêncio este que não me assusta,
só nos une,
em um só olhar.
me empresta um pouco do teu texto
e vamos juntos desdobrar este poema            
O teu sexo tem gosto de vermelho. É como o sol nascendo, pouco a pouco queimando o dia pela manhã. Tua flor rubra se fecha como Maria sem vergonha em dia de chuva. Com um leve toque se recolhe sem o mínimo pudor. Teu cheiro impregna o céu da minha boca, calando as palavras de uma longa noite. Tuas curvas reagem a meu toque. Curvas estas que se formam a partir dos seus suspiros.

Sou vermelho vivendo num mundo azul em uma dia parcialmente ensolarado.

quinta-feira, 8 de março de 2018

O que sabiá.

Sabia que eu
sei que você
é vazio
por dentro
por fora
cheio
de si


quinta-feira, 1 de março de 2018


chá de poesia. Uma tarde de chuva. Um café para acordar ou um chá para relaxar. Aquele livro com uma dedicatória especial. Um perder-se no espaço como a fumaça quente do café. Um encontrar-se nas memórias como as palavras hoje talvez sem sentido da dedicatória, mas que ontem faziam corar as bochechas. Desenhar com giz uma porta na parede e sair para dar uma volta. Esquecer o guarda-chuva no café e imaginar para onde vão todos os guarda chuvas perdidos por ai. Talvez tenha encontrado sua alma-gêmea. A minha gosta de chá. Só não sei se de camomila ou de cravo. Uma alma que goste de rabiscar os livros, que goste de sublinhar as partes que mais gosta. Criar é esculhambar. Preciso me fotografar sorrindo e desconstruir minha imagem. Preciso me perder e encontrar o caminho de volta, só por curiosidade. Tomar uma sopa de letrinhas e encontrar nela as palavras ali perdidas. Aquelas nunca ditas que se perderam na fumaça do café, sabe? Manchar o guardanapo branco com gostas de chá que pingam do sachê. Que desenho essas gotas formaram? Talvez mostrem o caminho. O caminho de se perder. Me sujar de palavras sujas lidas num sussurro. Limpar-me com folhas rasgadas. Despedaçar-me, desesperar-me. Desorientar-me até perder os sentidos, perder a noção. Achar o ponto final na última frase, no ultimo refrão.

domingo, 18 de junho de 2017

A linha deixa de ser linha quando fica de pé?
O contínuo
continua
na partida
e começa
na chegada

ou

Na partida se inicia
se findando
em seu destino

Interrogação?

Uma linha contínua
continua eternamente
Mesmo quando fecho os olhos
ela ainda está ali
rabiscando o infinito

e continua

sua rotina

contínua

Finjo

Sou romântica
quando finjo que não te vejo
vindo ao meu encontro.
Só pra ver como você vai me abordar de surpresa.